domingo, 1 de dezembro de 2013

Breve reflexão sobre as Universidades angolana

A reforma das universidades é um dos temas actuais mais que ninguém o quer abordar. 
No sentido de contribuir com o debate, a presente reflexão mais do que ensinamento, visa provocar o debate que se impõe a volta desta temática.

A partir de uma observação impirica ou se quisermos  documental, inicialmente, concluímos, considerando a necessidade de “reforma” no modelo universitário vigente.
A reforma universitária vigente não pode ser apenas e, principalmente, em decorrência do modelo sócio-político-econômico. Partindo de principio de que as universidades visam apenas lucos. No meu modesto entender cada vez mais a fronteira entre universidades privadas e estatais tem sido muito tenua. Partimos do principio de que, a sobrevivência das universidades privadas devem ser asseguradas pela qualidade do produto que oferecem ao publico para daí, atraírem maior numero possível de potenciais estudantes e, concomitantemente através de cobranças de propinas assegurarem a rentabilidade financeira, ja as estatais além claro de servir como força motora, deveria também exercer o papel regulador.

Através de uma pesquisa, tomamos conhecimento de uma infindável lista de Universidades ou Institutos Superiores espalhados um pouco por esta Angola:


A pergunta que muito de nós fizemos são as seguintes:
Quem regula os conteúdos programáticos destes centros do saber?
Estarão assegurados a uniformidades dos referidos conteúdos programáticos?
Todas elas se revem na nova reforma educativa ou simplesmente foi uma imposição do Ministério da Educação?
Quais são os cristeiros para a cobrança de propinas tanto nas privadas como nas publicas.
São atribuídos categorias a semelhança de redes hoteleiras e em função disto estabelecer as propinas a cobrar. 

Exemplo:

Universidade X é de cinco estrela. Poderá cobrar X de propina,
Universidade Y é de quatro estrela. Deverá cobrar X de propina;
Qual é o perfil hoje dos estudantes que ingressam nas universidades?
qual é o perfil de professor que lecciona nas universidades?
Estão asseguradas a valorização da carreira docente? 
Que cursos são leccionados nas universidades em função da demanda procura/oferta no mercado de trabalho? 
Qual é o papel do estado em tudo isto?
O paradigma expansão de universidades, assegura a qualidade de ensino dos estudantes formados nestas mesmas universidades?
Qual é a relação que existe entre pagamento de bons salários nas empresas, com a procura de candidatos a ingressar nas universidades?
O famoso lema de que, estamos nas universidades a procura apenas do canudo para garantir os melhores posto de trabalho tem alguma verdade?
Será que as universidades estão a talhar uma massa critica e, um elemento que busca o saber ou, um yes men?

Estas e outras perguntas vem a proposito desta reflexão. É um ponto de partida proposto aqui para a reflexão. 

Entretanto, entendo que são necessárias mudanças no modelo universitário. Não quero aqui argurar-me em dar licções. lanço este texto para reflexão.

Nota:
A reflexão continuará em próximos textos.



O Estado de Alma do Estudante versus Provas de Avaliação




O Estado de Alma do Estudante versus Provas de Avaliação.

 


De acordo com a estrutura e, o entendimento da mente, entendemo-la que a mente humana não é uma “faculdade” isolada ou apriorística, mas uma “actividade” complexa, caracterizada por sua estrutura sistêmica.
A sua estrutura sistêmica constitui-se de um conjunto dinâmico de componentes psicológicos (volitivos, cognitivos, afectivos) e regiões cerebrais interconexas, cada uma contribuindo com operações básicas para a realização da actividade  como um todo.
 Seu carácter semântico decorre do facto de que as acções  materiais do homem são precedidas e acompanhadas por acções mentais, ou seja, por representações simbólicas das coisas, projectos e programas. E, em sua origem, a actividade mental é uma reconstrução interna de operações externas.
Partindo destes e outros pressupostos é curial o estudante ter a capacidade de reflexão e julgamento interrogando-se sobre os seus objectivos. Ou seja, quais são os seus objectivos? O que ele pretendo com a sua licenciatura? Qual é o alcance dela?
Todos estes aspectos estarão subjacente como dizíamos acima a componente psicológica que lhe possibilitara encarar o processo de ensino e aprendizado com a naturalidade que se requer.
A abordagem em torno das avaliações tem suscitado bastante polemicas. Uns dizem que é uma tortura, outros encaram como uma disputa entre docentes e estudantes, alguns levantam duvidas quanto a sua credibilidade e lizura.
Quando um docente fala em avaliação muitos estudantes ficam com medo, receios até mesmo, apreensivos quanto ao que vai ser cobrado na prova, pois esse é um momento muito tenso e de muita pressão psicológica para os estudantes.
 A avaliação deve ser encarado como um processo natural que acontece para que o docente tenha uma noção dos conteúdos ministrados e assimilados pelos estudantes, bem como saber se as metodologias de ensino adotadas por ele estão surtindo efeito na aprendizagem dos estudantes. Este deve ser o principio norteador de uma avaliacao.
Nos tempos remotos, ou em outras decadas avaliar significava apenas aplicar provas, dar uma nota e classificar os estudantes em aprovados e reprovados. Ainda hoje existem alguns docentes que acreditam que avaliar consiste somente nesse processo. Contudo, essa visão aos poucos está sendo modificada.
O processo de Avaliação não deve ser somente o momento da realização das provas e testes, mas um processo contínuo e que ocorre ao longo de todo processo de ensino, visando a correção de erros e encaminhando o estudante para aquisição dos objectivos a que se propôs.
Nesse sentido, a forma avaliativa funciona como um elemento de integração e motivação para o processo de ensino-aprendizagem.
 A avaliação é um processo actualmente que deve ser entendido não só, como o resultado dos testes e provas, mas também os resultados dos trabalhos e/ou pesquisas que os estudantes realizam.
Para que este processo seja entendida não apenas como resultado de testes ou provas, criou-se  inúmeras técnicas avaliativas para ajudar melhor o estudante a encarar de forma natural. Tais como;
  • prova de consulta,
  • trabalhos e pesquisas,
  • resolução de soluções de problemas, entre muitas outras técnicas.
As quais permitem ao professor avaliar o desempenho dos estudantes e fugir da tradicional prova escrita, essas técnicas apresentam algumas características como:
  • Possibilidade do docente e estudante dialogarem buscando encontrar e corrigir possíveis erros, redirecionando o estudante para a aprendizagem;
  •  
  • Os erros são tidos como pistas que demonstram como o estudante está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que estão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão destes.
  •  
  • A motivação para a correção e o progresso do educando, sugerindo a ele novas formas de estudo para melhor compreensão dos assuntos abordados dentro da classe.
 Além das técnicas, para melhor entendimento e compreensão deste processo recomendamos ter em atenção Os Tipos de Avaliação como:
  1. Avaliação Diagnostica
Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso, do ano lectivo, do semestre/ trimestre, da unidade temática ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte:
- Identificar estudantes com padrão aceitável de conhecimentos;
- Constata deficiências em termos de pré-requisitos;
- Constata particularidades
     2.  Avaliação Formativa
 Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do estudante;
- ajuda o estudante a desenvolver as capacidades cognitivas, ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho.
- Informa sobre os objectivos se estão ou não a ser atingidos pelos estudantes;
- Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem;
- Localiza deficiência/dificuldades.
     3. Avaliação Sumativa  / Somativa
 Esta avaliação classifica os estudantes no fim de um semestre/trimestre, do curso, do ano lectivo, segundo níveis de aproveitamento.
- Tem a função classificadora (classificação final). Para se chegar a esta fase, aplica-se os dois instrumentos mais utilizados que são, as provas objectivas e subjectivas.
Para poder-se aplicar melhor esta ferramenta, é fundamental que o educador tenha domínio da heterogeneidade de conhecimentos existentes em sua turma, pois através desta referência, poderá elaborar estratégias de aplicabilidade, bem como poder acompanhar a evolução colectiva  e individual de seus estudantes.
 Gadotti (1990 – Op. Cit.) diz que a avaliação é essencial à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento, reflexão, sobre a acção.
Entende-se que a avaliação não pode morrer. Ela se faz necessária para que possamos reflectir, questionar e transformar nossas Acções.
O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica, sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações.
Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem.
 A forma como se avalia, segundo Luckesi (2002), é crucial para a concretização do projecto educacional. É ela que sinaliza aos estudantes o que o professor e a instituição escola valorizam.
Qualquer actividade  que realizamos no dia-dia realizamo-lo com um certo objectivo, tal como outras actividades. Educar tem em vista determinados objectivos, que permitam o desenvolvimento do indivíduo como um todo; no domínio cognitivo, afectivo e psicomotor.
Num processo de avaliação são definidos objectivos específicos (componente interna) que correspondem a actividade que se deve observar na avaliação.
Assim, a avaliação deve obedecer os seguintes critérios:
- Tem que ser benéfico;
- Deve ser justo e uniforme;
- Deve ser global;
- Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento;
- Deve estar ao alcance dos estudantes;
- O processo de avaliação deve ser aberto;
- As conclusões finais devem ter certa validade a longo prazo.
- Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil.
Será que estes  critérios estão realmente ao alcance e na perspectiva do melhoramento do aprendizado dos estudantes angolano?
 Será que o docente hoje, esta munido de conhecimentos suficientes para aplicar os referidos critérios visando a melhoria dos estudantes angolanos?
 Os Critérios da escolha das Técnicas e Instrumentos de Avaliação dependem:
                                I.            Dos objectivos de avaliação;
                              II.            Dos meios,
                            III.            Dos conteúdos/complexidade da matéria; Tempo disponível/duração;
                            IV.            Número de estudantes na turma;
                              V.            O tipo de estudantes;
                            VI.            A idade dos estudantes;
                          VII.            As condições da sala de aula etc.

Tendo em conta a complexidade deste processo, convém dizer que, hoje muitos docentes divergem quanto a concepção da avaliação.
Independentemente das divergências é curial que o docente faça uma reflexão objectiva de formas a atender aos critérios e, daí, aplicar melhor as técnicas da avaliação com o objectivo de atender o principio da melhoria continua dos estudantes.
 Alguns docentes ainda estão presos na concepção tradicional da avaliação. Enquanto outros objectivam o modelo contemporâneo.
Assim, traçamos aqui uma comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma mais adequada a objectivos contemporâneos, relacionando-as com as implicações de sua adopção.
COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO
VISÃO TRADICIONAL
MODELO CONTEMPORÂNEO-ADEQUADO
Acção individual e competitiva
Acção colectiva e consensual (Interacção professor / estudante)
Concepção classificatória
Concepção investigativa e reflexiva
Apresenta um fim em si mesma
Actua como mecanismo de diagnóstico da situação
Postura disciplinadora e directiva do professor
Postura cooperativa entre professor e estudantes (pedagogia libertaria)
Privilégio à memorização (pedagogia dos oprimidos)
Privilégio à compreensão
Pressupõe a dependência do aluno. (pedagogia dos oprimidos)
Incentiva a conquista da autonomia do estudante. (Pedagogia libertaria)
 
A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem, porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados num dado capítulo ou unidade temática.
Com a avaliação  possibilita-se reflectir sobre o nível do trabalho do professor como do estudante, por isso, mais uma vez reafirmamos que, a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos estudantes,  mas sim, deve ser utilizada como um instrumento de colecta de dados sobre o aproveitamento dos estudantes.
Esta, porém, determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas; ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho, também ajuda os estudantes a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem e determina o grau de assimilação dos conceitos.
Também, promove a auto percepção do professor, permite ao professor responder questões como:
- Os meus objectivos são claros?
- Os conteúdos são acessíveis, significativos e bem dosados?
- Os métodos são os mais apropriados aos meus "estudantes"?
- Auxilio bem os que apresentam dificuldades de aprendizado?
Após a colocação das questões expostas aqui, importa recomendar aos docentes para a reflexão sobre o processo de avaliação de forma a atenuar a tensão psicologica que este processo acarrecta e, obter a melhoria dos estudantes e sua cooperação para o processo de ensino e aprendizado e, estes possam encara-lo como algo normal e benéfico no fortalecimento dos seus conhecimentos.
 Por: Pedro Lourenço Capingano
Psicólogo e Docente Universitário