O Estado de Alma do Estudante versus Provas de Avaliação.
De acordo com a estrutura e, o entendimento da mente,
entendemo-la que a mente humana não é uma “faculdade” isolada ou apriorística,
mas uma “actividade” complexa, caracterizada por sua estrutura sistêmica.
A sua estrutura sistêmica constitui-se de um conjunto
dinâmico de componentes psicológicos (volitivos, cognitivos, afectivos) e
regiões cerebrais interconexas, cada uma contribuindo com operações básicas
para a realização da actividade como um
todo.
Seu carácter semântico decorre do facto de que as
acções materiais do homem são precedidas
e acompanhadas por acções mentais, ou seja, por representações simbólicas das
coisas, projectos e programas. E, em sua origem, a actividade mental é uma
reconstrução interna de operações externas.
Partindo destes e outros pressupostos é curial o
estudante ter a capacidade de reflexão e julgamento interrogando-se sobre os
seus objectivos. Ou seja, quais são os seus objectivos? O que ele pretendo com
a sua licenciatura? Qual é o alcance dela?
Todos estes aspectos estarão subjacente como dizíamos
acima a componente psicológica que lhe possibilitara encarar o processo de
ensino e aprendizado com a naturalidade que se requer.
A abordagem em torno das avaliações tem suscitado
bastante polemicas. Uns dizem que é uma tortura, outros encaram como uma
disputa entre docentes e estudantes, alguns levantam duvidas quanto a sua
credibilidade e lizura.
Quando um docente fala em avaliação muitos estudantes
ficam com medo, receios até mesmo, apreensivos quanto ao que vai ser cobrado na
prova, pois esse é um momento muito tenso e de muita pressão psicológica para
os estudantes.
A avaliação deve ser encarado como um processo natural
que acontece para que o docente tenha uma noção dos conteúdos ministrados e
assimilados pelos estudantes, bem como saber se as metodologias de ensino
adotadas por ele estão surtindo efeito na aprendizagem dos estudantes. Este
deve ser o principio norteador de uma avaliacao.
Nos tempos remotos, ou em outras decadas avaliar
significava apenas aplicar provas, dar uma nota e classificar os estudantes em
aprovados e reprovados. Ainda hoje existem alguns docentes que acreditam que
avaliar consiste somente nesse processo. Contudo, essa visão aos poucos está
sendo modificada.
O processo de Avaliação não deve ser somente o momento da
realização das provas e testes, mas um processo contínuo e que ocorre ao longo
de todo processo de ensino, visando a correção de erros e encaminhando o
estudante para aquisição dos objectivos a que se propôs.
Nesse sentido, a forma avaliativa funciona como um
elemento de integração e motivação para o processo de ensino-aprendizagem.
A avaliação é um
processo actualmente que deve ser entendido não só, como o resultado dos testes
e provas, mas também os resultados dos trabalhos e/ou pesquisas que os
estudantes realizam.
Para que este processo seja entendida não apenas como
resultado de testes ou provas, criou-se
inúmeras técnicas avaliativas para ajudar melhor o estudante a encarar
de forma natural. Tais como;
As quais
permitem ao professor avaliar o desempenho dos estudantes e fugir da
tradicional prova escrita, essas técnicas apresentam algumas características
como:
Possibilidade do docente e estudante dialogarem
buscando encontrar e corrigir possíveis erros, redirecionando o estudante para
a aprendizagem;
Os erros são tidos como pistas que demonstram como o
estudante está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos
conhecimentos que estão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão
destes.
A motivação para a correção e o progresso do educando,
sugerindo a ele novas formas de estudo para melhor compreensão dos assuntos
abordados dentro da classe.
Além das técnicas, para melhor entendimento e compreensão
deste processo recomendamos ter em atenção Os Tipos de Avaliação como:
Avaliação Diagnostica
Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso, do
ano lectivo, do semestre/ trimestre, da unidade temática ou de um novo tema e
pretende verificar o seguinte:
- Identificar estudantes com padrão aceitável de
conhecimentos;
- Constata deficiências em termos de pré-requisitos;
- Constata particularidades
2. Avaliação Formativa
Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. É através
desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do estudante;
- ajuda o estudante a desenvolver as capacidades
cognitivas, ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho.
- Informa sobre os objectivos se estão ou não a ser
atingidos pelos estudantes;
- Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem;
- Localiza deficiência/dificuldades.
3. Avaliação Sumativa
/ Somativa
Esta avaliação classifica os estudantes no fim de um
semestre/trimestre, do curso, do ano lectivo, segundo níveis de aproveitamento.
- Tem a função classificadora (classificação final). Para
se chegar a esta fase, aplica-se os dois instrumentos mais utilizados que são,
as provas objectivas e subjectivas.
Para poder-se aplicar melhor esta ferramenta, é
fundamental que o educador tenha domínio da heterogeneidade de conhecimentos
existentes em sua turma, pois através desta referência, poderá elaborar
estratégias de aplicabilidade, bem como poder acompanhar a evolução
colectiva e individual de seus
estudantes.
Gadotti (1990 – Op. Cit.) diz que a avaliação é essencial
à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como problematização,
questionamento, reflexão, sobre a acção.
Entende-se que a
avaliação não pode morrer. Ela se faz necessária para que possamos reflectir,
questionar e transformar nossas Acções.
O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada
histórica, sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle
e de autoritarismo por diversas gerações.
Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo
que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o
ensino/aprendizagem.
A forma como se
avalia, segundo Luckesi (2002), é crucial para a concretização do projecto
educacional. É ela que sinaliza aos estudantes o que o professor e a
instituição escola valorizam.
Qualquer actividade
que realizamos no dia-dia realizamo-lo com um certo objectivo, tal
como outras actividades. Educar tem em vista determinados objectivos, que
permitam o desenvolvimento do indivíduo como um todo; no domínio cognitivo,
afectivo e psicomotor.
Num processo de avaliação são definidos objectivos
específicos (componente interna) que correspondem a actividade que se deve
observar na avaliação.
Assim, a avaliação deve obedecer os seguintes critérios:
- Tem que ser benéfico;
- Deve ser justo e uniforme;
- Deve ser global;
- Deve ser eficaz na produção e mudanças no
comportamento;
- Deve estar ao alcance dos estudantes;
- O processo de avaliação deve ser aberto;
- As conclusões finais devem ter certa validade a longo
prazo.
- Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil.
Será que estes
critérios estão realmente ao alcance e na perspectiva do melhoramento do
aprendizado dos estudantes angolano?
Será que o docente hoje, esta munido de conhecimentos
suficientes para aplicar os referidos critérios visando a melhoria dos
estudantes angolanos?
Os Critérios da escolha das Técnicas e Instrumentos de
Avaliação dependem:
I.
Dos objectivos de
avaliação;
II.
Dos meios,
III.
Dos
conteúdos/complexidade da matéria; Tempo disponível/duração;
IV.
Número de estudantes na
turma;
V.
O tipo de estudantes;
VI.
A idade dos estudantes;
VII.
As condições da sala de
aula etc.
Tendo em conta a complexidade deste processo, convém
dizer que, hoje muitos docentes divergem quanto a concepção da avaliação.
Independentemente das divergências é curial que o docente
faça uma reflexão objectiva de formas a atender aos critérios e, daí, aplicar
melhor as técnicas da avaliação com o objectivo de atender o principio da
melhoria continua dos estudantes.
Alguns docentes ainda estão presos na concepção
tradicional da avaliação. Enquanto outros objectivam o modelo contemporâneo.
Assim, traçamos aqui uma comparação entre a concepção
tradicional de avaliação com uma mais adequada a objectivos contemporâneos,
relacionando-as com as implicações de sua adopção.
COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO
|
VISÃO TRADICIONAL
|
MODELO CONTEMPORÂNEO-ADEQUADO
|
Acção individual e competitiva
|
Acção colectiva e consensual (Interacção professor / estudante)
|
Concepção classificatória
|
Concepção investigativa e reflexiva
|
Apresenta um fim em si mesma
|
Actua como mecanismo de diagnóstico da situação
|
Postura disciplinadora e directiva do professor
|
Postura cooperativa entre professor e estudantes (pedagogia libertaria)
|
Privilégio à memorização (pedagogia dos oprimidos)
|
Privilégio à compreensão
|
Pressupõe a dependência do aluno. (pedagogia dos oprimidos)
|
Incentiva a conquista da autonomia do estudante. (Pedagogia libertaria)
|
A avaliação é um elemento muito importante no Processo de
Ensino e Aprendizagem, porque é através dela que se consegue fazer uma análise
dos conteúdos tratados num dado capítulo ou unidade temática.
Com a avaliação
possibilita-se reflectir sobre o nível do trabalho do professor como do
estudante, por isso, mais uma vez reafirmamos que, a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de
notas aos estudantes, mas sim, deve ser
utilizada como um instrumento de colecta de dados sobre o aproveitamento dos
estudantes.
Esta, porém, determina o grau da assimilação dos conceitos
e das técnicas/normas; ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de
trabalho, também ajuda os estudantes a desenvolverem a auto confiança na
aprendizagem e determina o grau de assimilação dos conceitos.
Também, promove a auto percepção do professor, permite ao
professor responder questões como:
- Os meus objectivos são claros?
- Os conteúdos são acessíveis, significativos e bem
dosados?
- Os métodos são os mais apropriados aos meus
"estudantes"?
- Auxilio bem os que apresentam dificuldades de
aprendizado?
Após a colocação das questões expostas aqui, importa
recomendar aos docentes para a reflexão sobre o processo de avaliação de forma
a atenuar a tensão psicologica que este processo acarrecta e, obter a melhoria
dos estudantes e sua cooperação para o processo de ensino e aprendizado e,
estes possam encara-lo como algo normal e benéfico no fortalecimento dos seus
conhecimentos.
Por: Pedro Lourenço Capingano
Psicólogo e Docente Universitário