terça-feira, 1 de julho de 2014












Terça, 01 de Julho de 2014


Reflectindo sobre lideranças e liderados

  Por: Pedro Capingano




Reflectindo sobre lideranças e liderados
Antes de entrarmos no tema propriamente seleccionada para reflexão, impõe-se traçar aqui alguns conceitos ainda que, de forma simplista.
É notório frisar a importância hoje da actuação da Psicologia no desenvolvimento de líderes, uma vez que essa, além de fornecer técnicas, vê o indivíduo na sua totalidade e percebe que esse tem possibilidade de aprender e mudar comportamentos. Logo, acredita-se que a competência da liderança possa ser desenvolvida.


Liderança
Hunter (apud CARDOSO, 2006), define liderança como a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objectivos identificados como sendo para o bem comum.


 Já Diniz apud Cardoso (2006), define que a liderança é a capacidade de inspirar, motivar e movimentar pessoas a atingirem e superarem metas, ultrapassando aquilo que aparentava ser seus limites.











Doença ocupacional
Doença ocupacional é designação de várias doenças que causam alterações na saúde do trabalhador, provocadas por factores relacionados com o ambiente de trabalho.


Uma doença ocupacional normalmente é adquirida quando um trabalhador é exposto acima do limite permitido por lei a agentes químicos, físicos, biológicos, ergonómicos até mesmo psicológico.
Existe diferença entre Bullying e Doenças Ocupacional?


O Bullying no local de trabalho
Diferente do que se imagina, a prática do bullying não ocorre somente dentro das salas de aulas.


A prática do bullying, esse comportamento tão eficaz e destrutivo da nossa auto-estima, está presente também entre adultos em seus locais de trabalho. Com pouquíssimas diferenças nas suas definições e muita semelhança nas suas consequências, o bullying no local de trabalho tem-se tornado um grande pesadelo para muitas pessoas.
O bullying no local de trabalho pode ser definido como:


De acordo com Margarida Maria Silveira Barreto (2000), Médica do Trabalho, definiu-a como; “A exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas de curta ou de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado (s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do emprego”.


O Bullying no local de trabalho frequentemente envolve o abuso ou mau uso do poder. A prática do Bullying inclui comportamentos que intimidam, denigrem, ofendem ou humilham um trabalhador, normalmente na frente de outras pessoas. A prática do Bullying cria sentimentos de impotência no alvo e minimiza o direito do indivíduo à dignidade no trabalho.
É importante lembrar que, a prática do bullying é diferente da agressão. Enquanto a agressão pode significar um acto isolado, a prática do bullying requer ataques repetitivos contra o alvo, criando um padrão de comportamento que nunca se acaba.


É muito interessante notar que, a prática do bullying no local de trabalho é frequentemente dirigida a alguém de quem o agressor tem medo. O alvo muitas vezes nem percebe que está sendo agredido porque o comportamento pode ser camuflado através de críticas triviais e acções isoladas que ocorrem atrás de portas fechadas.
Alguns exemplos de comportamentos de bullying no local de trabalho:


  • Críticas não cabíveis
  • Culpar o colaborador sem uma justificativa real
  • Ser tratado de forma diferente da sua equipa de trabalho
  • Ser alvo de xingamentos
  • Ser excluído ou isolado socialmente
  • Ser alvo de gritos ou ser humilhado
  • Ser alvo de piadas
  • Ser constantemente e excessivamente vigiado
  • Ser alvo de chantagem (O teu aumento salarial depende disto ou, se não fizeres isto não vás a formação etc.)
  • Exploração do factor medo, o líder demonstra que poderá punir o subordinado que não cooperar com suas decisões ou que adoptar uma postura de confronto
  • Impõe sanções que vão desde a delegação de tarefas indesejáveis, passando pela supressão de privilégios, até a obstrução do desenvolvimento do profissional dentro da organização
  • Exerce por meio de ameaças e retalia o trabalhador que acha insolente, afastando-o de reuniões e eventos importantes, avaliando seu desempenho desfavoravelmente ou simplesmente demitindo-o de tarefas importantes.
     
    Como a prática do Bullying no local de trabalho afecta as pessoas ie uns dos factores que possam contribuir para as doenças ocupacional, a minha reflexão sobre as lideranças e liderados será em torno desta temática.
Alvos da prática do bullying vivenciam sérios problemas físicos e psicológicos tais como:


  • Alto Stress; desordem de Stress pós-traumático
  • Problemas financeiros causados por faltas injustificadas
  • Baixa auto-estima
  • Problemas musculares
  • Fobias (medo excessivo dos chefes ou superiores hierárquicos)
  • Dificuldades para dormir (sabendo que, no dia seguinte terá que apresentar-se no local de trabalho onde é alvo de maus tratos)
  • Alto índice de depressão/auto-acusação
  • Problemas de ordem digestiva/alimentar etc.
     


A prática do Bullying tem também implicâncias negativas para as empresas:


Os custos da prática do bullying geralmente se encaixam em quatro categorias:


  1. Recontratação de funcionários que saem por serem alvos de bullying/maus tratos ou ainda por doenças ocupacionais ou mesmo morte causados pelo Bullying.
  2. Tempo gasto na resolução de conflitos causados pela incompatibilidade de chefes/colaboradores
  3. A energia é dirigida a assuntos que não dizem respeito à produtividade no trabalho.
  4. Gastos relacionados à investigação da prática do bullying e potenciais processos trabalhistas.
A quebra da confiança em um ambiente aonde existe a prática do bullying pode significar que os funcionários não serão capazes de contribuir com o seu melhor desempenho ou submeter ideias novas de melhorias ou opiniões sobre fracassos que poderiam ser revertidos de maneira aberta e honesta.


Algumas contribuições para o saneamento do bullying:


Para os funcionários:


  1. Retome o controlo da situação
  2. Identifique e reconheça que você está sendo alvo de bullying
  3. Reconheça que você NÂO é o causador do problema
  4. Reconheça que a prática do bullying tem a ver com controlo e portanto, não tem nada a ver com o seu desempenho no trabalho.
  5. Tome uma atitude!
  6. Faça anotações em uma agenda detalhando a natureza da prática do bullying: datas, horários, locais, o que foi dito ou feito e quem estava presente
  7. Guarde cópias de qualquer prova da prática do bullying contra você, documentos que mostrem a contradição das acusações do agressor contra você
  8. Tenha em mente que o agressor irá negar e talvez reverter suas alegações; tenha sempre uma testemunha com você quando estiver na presença de um agressor; denuncie o comportamento à pessoa apropriada.
Para as empresas:


  1. As nomeações ou indicações para o exercício de chefias deverão obedecer as melhores práticas evitando desta forma o clientelismo, o trafego de influência, o amiguismo, o compadrio, a incompetência ou outras que lesarão posteriormente o exercício harmonioso entre a equipa de trabalho
  2. Crie uma política de tolerância zero à prática do bullying dentro da sua empresa. A política deve fazer parte de um comprometimento amplo para um local de trabalho seguro e sadio e deve envolver representantes das diversas Direcções com predominância para a Direcção de Recursos Humanos.
Quando a prática do bullying for testemunhada ou denunciada por alguém, o problema deve ser resolvido imediatamente.


  1. Se a prática do bullying já faz parte da cultura da empresa, queixas devem ser levadas a sério e investigadas prontamente. A reavaliação dos gestores envolvidos nesta prática impõe-se necessária
  2. Organize sua empresa para que seus funcionários possam participar da tomada das decisões em algumas situações. Isto ajuda muito a criar um ambiente onde as pessoas se sentem importantes e valorizadas
  3. Realize treinamentos que esclareçam o que é a prática do bullying para harmonização do ambiente de trabalho
  4. Encoraje políticas de portas abertas no local de trabalho. De formas a desburocratizar as mentes
  5. Investigue o tamanho e a natureza dos conflitos
  6. Capacite os gestores para terem habilidades e sensibilidade ao lidar e resolver conflitos
  7. Demonstre um comprometimento “de cima para baixo” sobre o que é e o que não é um comportamento aceitável no local de trabalho
Se o trabalhador/colaborador sabe que a prática do bullying acontece no seu local de trabalho e não faz nada, então está aceitando compartilhar da responsabilidade por abusos futuros. Isto significa que testemunhas da prática do bullying devem ser encorajadas a denunciar tais incidentes. Indivíduos sentem-se muito menos motivados a terem comportamentos anti-sociais no trabalho quando fica claro que a empresa não tolera tais comportamentos e que os agressores serão punidos.


O ideal para as empresas e organizações é proporcionar a possibilidade dos trabalhadores momentos de aproximação e diálogos que permitam a estas pessoas se conhecerem melhor e se conectarem através de suas histórias de vida, sonhos e desafios. O entendimento só é possível quando estes realmente conheçam-se entre eles, o que eles pensam e sentem sobre as mesmas coisas (interacção permanente entre trabalhadores).
Quando me propus fazer esta abordagem entendi socorrer-me fundamentalmente de pesquisas que falam sobre os medos versos estereótipos e, ainda, busquei também conceitos formulados na Psicologia Organizacional e do Trabalho.


Assim, citando Fiorelli (2004, p. 200), que dizia que, “liderança é a capacidade que algumas pessoas possuem de conseguir que outras, de modo espontâneo, ultrapassem o estabelecido formalmente”.


Para que o estilo de liderança seja eficaz, vai depender do efeito dela sobre o desempenho da tarefa e também da satisfação do influenciado, seja ele indivíduo ou grupo.


Se o influenciado mostrar-se satisfeito e, ao mesmo tempo, apresentar desempenho satisfatório, o estilo é eficaz.
Desta forma, recomendo que, no exercício das funções as lideranças sejam exercidas por competências. Que é baseada no respeito. O líder deverá demonstrar possuir conhecimentos e habilidades adequados ao cargo que ocupa, além de atitudes dignas e assertivas para que os subordinados reconhecem nele estas competências e a respeitam veladamente.


O líder deverá também fazer recursos da capacidade de persuasão. Buscando usar argumentos racionais e/ou emocionais para envolver e convencer seus interlocutores da necessidade ou conveniência de realizarem certas tarefas, aceitarem decisões ou acreditarem em determinados projectos. Trabalha com base em aspectos comportamentais buscando ora inspirar, ora dissuadir os subordinados, de acordo com os objectivos pretendidos.


Com estes e outros estilos poderão proporcionar maior adesão e atracção por suas lideranças, da mesma maneira que o poder coerção podem acarretar resistência por parte dos subordinados.


O líder de hoje é diferente, deve ser um indivíduo dinâmico, flexível, actualizado, comunicativo, empático, ético, inovador, confiável com senso de humor, para vencer os desafios; ser motivador e professor formando novos líderes, isto é, líder formando líderes.

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