O efeito nefasto da Separação Conjugal.
uma abordagem Psico-pedagógicaPor: Pedro Capingano
Devo dizer que o meu processo de crescimento passou por várias fases. Logicamente partindo dos principios estudados por Sigmund Freud, Jean Piaget ou mesmo Erik Erikson estudiosos que se debruçaram sobre os diversos estádios do processo do desenvolvimento da pessoa humana.
O meu crescimento teve muitos contornos. Hoje saliento que, foi graças a união de facto, jure, cumplicidade, companheirismo, amizade, amor e outros atributos que nortearam-me e fezeram dos meus progenitores os meus ídolos e referências que tornou-me no homem que sou hoje.
Tenho feito comigo mesmo são
as seguintes perguntas:
- Que mudou hoje?
-
Porque da existencia de tantas separações de casais hoje
em Angola?
-
Porque que os casamentos hoje tem uma duração efêmera?
-
O que se passa com os casais de hoje?
-
Qual é a essência das grandes contradições nos lares
de hoje?
-
É comum ouvir hoje as pessoas dizerem que são cristão,
intitulam-se como religiosos e que professam determinadas religiões mais então!
o porque de tantos desentendimentos nas famílias?
-
Qual é de facto o motivo da desagregação/desestruturação
familiar?
-
A prática do adulterismo hoje na nossa sociedade é muito
comum. Este exercício é praticado tanto pelo homem como pela mulher. O porque
desta desonra das pessoas?
-
Estas e muitas outras perguntas de certeza teríamos por
fazer
Separação
Acto ou efeito de separar, partição,
divisão, desunião. Afastamento, quebra
de uma união íntima, ruptura do
casamento.
§ O aparente alívio quando o casamento se desfaz.
Quando a vivência
conjugal torna-se insustentável é usual
que o sentimento de separação apareça como o caminho para um alívio imediato. Infelizmente, em
seguida, o casal se dá conta de que o aparente alívio não passa disso mesmo
porque a partir daí, surgem novos problemas.
Poucos casais em fase de separação conseguem tratar do processo
com franqueza e colaboração. Não é raro os filhos presenciarem as brigas e
serem utilizados como pombos-correio entre os pais, ou por vezes, serem até
veículo de agressão de um para o outro, o que só os tornam mais confusos e
psicologicamente instáveis.
Se uma pessoa não compreende ao certo o que se passa e não
supera as dificuldades de um casamento, pode acabar repetindo várias uniões de
estrutura idêntica, como uma tentativa de resolver algo que na verdade é de seu
próprio psiquismo, buscando desesperadamente uma solução através de sua
contínua repetição na relação com diferentes cônjuges.
Assim, conflitos precisam ser aconchegados, revividos e
resolvidos e é nas experiencias
do passado que o casal obterá as chaves de saída do labirinto, seja pela
superação dos problemas do casamento, seja pelo amadurecimento da decisão de separação.
No caso de uma separação
mal resolvida, os filhos acabam por sofrer consequências ruins, pois
dificilmente o casal conseguirá falar da separação de forma clara, esclarecendo
sobre como será dali para frente, assegurando o afecto de ambos e alterando o mínimo possivel o cotidiano dos filhos, num
período que já impõe muitas mudanças.
Filhos envolvidos em brigas
tenderão a tomar partido, a sentirem-se culpados e ameaçados de perderem
intimidade com um dos pais, ou com ambos.
Existem dados que mostram que a maioria das separações ocorre
antes de 10 anos de casamento e que, por isso, a maioria dos separados têm filhos menores de idade.
O comum seria ensinar aos respectivos filhos, habilidades
necessárias para lidar com certos eventos decorrentes da separação dos pais.
Partimos de exemplo, do adolescente que esta na fase de namorar mais
que, passou grande parte de sua vida observando pais brigando ou constantemente
vivendo em conflitos, provavelmente, não terá condições emocionais interna para
tentar uma relação amorosa e afectuosa
com a sua parceira. Sabemos que, nao oferemos aquilo que não obtivemos.
Separação não é apenas separar casas: implica em elaborar as experiências
emocionais que rondam a vida afectiva do casal. Existem muitos casais que
concluem a "separação de
corpos", mas que se relacionam como se ainda estivessem completamente
aprisionados um ao outro.
O divórcio, quando é o caso, deve ser preparado de forma madura,
assumindo cada um dos cônjuges sua parte de responsabilidade nos sucessos e
fracassos da relação, lidando com as perdas e seus lutos correspondentes, além
de cultivar e preservar uma boa cooperação no que se refere à educação dos filhos.
Devemos sempre Enfatizar a importância da relação conjugal para
o desenvolvimento emocional dos filhos. E, finalmente, ressalta-se que o
compromisso da terapia de casal não é com a manutenção ou a ruptura do
casamento, mas com a saúde emocional dos casais e familiares.
De acordo com Terezinha
Féres-Carneiro, dizia que todo fascínio e toda dificuldade de ser casal, reside no facto
de o casal encerrar, ao mesmo tempo, na sua dinâmica, duas individualidades e
uma conjugalidade, ou seja,:
·
De
o casal conter dois sujeitos, dois desejos, duas inserções no mundo, duas
percepções do mundo, duas histórias de vida, dois projectos de vida, duas identidades
individuais.
·
Na realidade, após
compromisso para a relaçãoo amorosa, devem ou convivem com uma conjugalidade, um desejo
conjunto, uma história de vida conjugal, um projecto
de vida de casal, uma identidade conjugal.
·
Neste sentido, Como ser dois sendo um? Como ser um sendo
dois? Na lógica do casamento contemporâneo, um e um são três, na expressão de Philippe Caillé (1991). Para Caillé, cada casal cria seu
modelo único de ser casal, que ele chama de "absoluto do casal", que define a existência
conjugal e determina seus limites. A sua definição de casal, contém portanto os
dois parceiros e seu "modelo único", seu absoluto.
·
E, eu acrescento. É inútil
passarmos a vida a emitar/copiar outros casais. Os casais que estão
constantemente (marido ou mulher) a querer ser como é o seu vizinho ou vizinha,
ou então idealizam ou pensam que o Casal A ou B são mais felizes que eles,
então este casamento a partida está condenado ao fracasso.
Durkheim,
dizia que, o casamento serve como um
lugar-comum da sociologia familiar para a protecção contra a anomia do indivíduo. O
casamento tem como função social criar para o indivíduo uma determinada ordem,
para que ele possa experimentar a vida com um certo sentido.
A função do Casamento e suas
dimensões.
Por outro lado, constituir
um casal demanda da criação de uma zona comum de interacção, de uma identidade
conjugal. Assim, o casal é confrontado, o tempo todo, por duas forças
paradoxais a que a autora Terezinha Féres-Carneiro chama de "o difícil convívio
da individualidade com a conjugalidade". Ainda
de acordo com a mesma autora, se por um lado os ideais individualistas
estimulam a autonomia dos cônjuges, enfatizando que o casal deve sustentar o
crescimento e o desenvolvimento de cada um, por outro, surge a necessidade de
vivenciar a conjugalidade, a realidade comum do casal, os desejos e projectos
conjugais.
A sociedade angolana esta firmar-se no valor de referencia derivado do "Eu",
ou seja, é comum os casais na sua singularidade
dizerem o meu carro, a minha casa, os meus filhos o meu emprego, a minha
carreira, a minha projecção etc. Quando
na verdade duas pessoas unim-se e de acordo com os mandamentos bíblicos
tornam-se num só. O meu deverá ser substituído pelo "Nosso".
Talvez é que, constata-se hoje na
sociedade angolana e, confesso a minha dificuldade porque não fiz um estudo
muito mais apurado para compreender porque é que, existem muitos homens e
mulheres sobretudo trabalhando em empresas de referência (Bancos, Sonangol,
Ministérios até mesmo Governantes etc) com um nível de vida média/alta mais no
entanto ou são solteiras/solteiros ou pessoas que já passaram por união de
facto, ou então, o seu modo de vida conjugal hoje não tem merecido referência
positiva para as gerações vindoura. Aos
olhos das famílias vale sim apenas, e só apenas pelo seus Status social. Todos
dizem que, os tempos passados foram melhores do que hoje. Mais no entanto
naquela altura os mais velhos não tinham tanto poder econômico e os tais Status
do que hoje e, no entanto, deram-nos melhores exemplos de vida dos que hoje
pensam que os melhores cargo, dinheiro ou Status são mais importantes do que a
família.
Também não consigo compreender que, devido aos seus compromissos
profissionais, verifico por parte das pessoas sobretudo aquelas que tem cargos
de gestão uma ambição desenfreada em fazer tudo pelo trabalho inclusive são
capazes de passar mais tempo em viagens de trabalho, estão mais tempo nas
respectivas empresas ou mesmo, esquecendo-se que a família é primazia para a
manutenção desta motivação laboral. Dalai
Lama dizia. "As pessoa fazem tudo por ganhar dinheiro. Acabam por
gastar este mesmo dinheiro na saúde devido ao desgaste provocado pelo trabalho".
Estranha-me verificar que, uma dada gestora/gestor ou pessoa anonima passa
mais tempo preocupada com questões de indole individualista ou esta preocupado
em ficar mais tempo no trabalho inclusive de forma velada ou não, obriga também
com que outros colaboradores fiquem até altas horas no trabalho em detrimento
dos cuidados que deviam prestar as suas famílias. Tornou-se comum os
professores constatarem ausências dos pais nas reuniões de escola dos seus filhos.
Giddens denomina de
"amor confluente" aquele que presume uma igualdade no dar e receber
afecto e se desenvolve a partir da intimidade reciproca. Ele conceitua
o laço conjugal como "relacionamento puro" tendo em vista que este só
se mantém se for capaz de proporcionar satisfações a ambos os parceiros.
Como é possível hoje este "amor confluente" na sociedade
angolana se as pessoas estão a primar mais pelas suas singularidade, os seus
Status pessoais, primasias pelos seus projectos individuais, promoções pessoais
inclusive existe hoje, pouco diálogo entre casais. As pessoas vivem distantes
dos seus locais de trabalho. Os casais saem muito cedo em carros diferentes
para as suas jornadas laborais e, quando chegam estão totalmente cansados
contribuindo desta forma para o pouco diálogo entre ambos.
De acordo com os dados da literatura
internacional, embora não aprofundada por mim, apontam que o sexo extra-conjugal,
excesso de bebida e dificuldades financeiras, estarem, quase sempre,
presentes nos processos de separação conjugal.
Devemos considerar esta
abordagem como um acto de reflexão. Convidando as pessoas para um estudo
científico sobre o fenómeno.
Caruso (1968) afirma que, na
separação há uma sentença de morte recíproca: o outro morre em vida dentro de
mim e eu também morro na consciência do outro. Ele diferencia a dor vivenciada
pelos amantes que se separam subitamente, daquela que ocorre na separação lenta
que se segue ao "distanciamento mútuo".
Embora o divórcio/separação possa ser, às vezes, a melhor solução para um casal cujos
membros não se consideram capazes de continuar tentando ultrapassar suas
dificuldades, ele é sempre vivenciado como uma situação extremamente dolorosa e
estressante.
A separação é ruptura provoca
nos cônjuges sentimentos de fracasso, importância e perda, havendo aquilo que
em psicologia consideramos como um luto a ser elaborado. O tempo de elaboração
do luto pela separação é quase sempre maior do que aquele do luto por morte.
São os pais que chegam à decisão de
se separarem e, em geral, os filhos reagem com raiva, medo, tristeza ou culpa.
Estes sentimentos podem se alternar durante semanas ou meses após a separação.
O importante, no processo de separação, é deixar os filhos fora do
conflito conjugal. Quem se separa é o par amoroso, o casal conjugal. O casal
parental continuará para sempre com as funções de cuidar, de proteger e de
prover as necessidades materiais e afectivas dos filhos. É muito
importante que isto possa ficar claro para eles.
É importantes reflectir hoje sobre, o fenômeno da delinquência, fraca
assimilação acadêmica ou ainda com a falta de amor nas pessoas se não tem
relação com a separação conjugal. Porque, de acordo com os
estádios formulados por Freud, Piaget ou Erik Erikson é na infância onde se
estabelecem os vínculos de afectividade. Ou seja quando na infância um
indivíduo não recebe dos seus progenitores ou a ruptura destes abalam do ponto
de vista psicológico a sua infância, o que a sociedade espera destas criança
quando elas forem adultas?
Embora possamos dizer que a separação conjugal pode ter efeitos construtivos
para os membros de uma família, sobretudo quando o preço para manter o
casamento é a autodestruição e a destruição do outro.
É sempre importante
enfatizar que, é muito mais importante a relevância da relação
conjugal para o desenvolvimento emocional dos filhos. Daí,
advogarmos que os casais deverão ter em conta sempre este factor como um
projecto também de sociedade sã.
Para concluir devo reafirmar que a separação, mais do que uma ferida no
narcisismo da pessoa, afecta dolorosamente toda a comunidade e coloca em risco toda
a estrutura que esta em volta da pessoa separada.
A pessoa separada vivencia momentos de solidão e, outros factores
adversos. A solidão pode representar uma possibilidade de ficar consigo mesmo
ou uma incapacidade de tolerar a indiferença do outro, manifestando-se tanto no
isolamento voluntário como na busca compulsiva de companhia.
As pessoas quando estão a vivenciar estes momentos, geralmente
tornam-se insensíveis, pouco colaborante, inclusive produzem pouco para as suas
organizações e família.
Recomenda-se ao casal que se submete a uma psicoterapia conjunta,
acabe reconstruindo o vínculo em novo patamar e dissolvendo conflitos. Se o
mal-estar se vai, não sobra muito motivo para se separarem, além de que,
abre-se o caminho para uma relação mais prazerosa.
Ganhando com isso, a família e a sociedade em geral.Quinta-feira, 06 de Março de 2014
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