domingo, 1 de dezembro de 2013

O Estado de Alma do Estudante versus Provas de Avaliação




O Estado de Alma do Estudante versus Provas de Avaliação.

 


De acordo com a estrutura e, o entendimento da mente, entendemo-la que a mente humana não é uma “faculdade” isolada ou apriorística, mas uma “actividade” complexa, caracterizada por sua estrutura sistêmica.
A sua estrutura sistêmica constitui-se de um conjunto dinâmico de componentes psicológicos (volitivos, cognitivos, afectivos) e regiões cerebrais interconexas, cada uma contribuindo com operações básicas para a realização da actividade  como um todo.
 Seu carácter semântico decorre do facto de que as acções  materiais do homem são precedidas e acompanhadas por acções mentais, ou seja, por representações simbólicas das coisas, projectos e programas. E, em sua origem, a actividade mental é uma reconstrução interna de operações externas.
Partindo destes e outros pressupostos é curial o estudante ter a capacidade de reflexão e julgamento interrogando-se sobre os seus objectivos. Ou seja, quais são os seus objectivos? O que ele pretendo com a sua licenciatura? Qual é o alcance dela?
Todos estes aspectos estarão subjacente como dizíamos acima a componente psicológica que lhe possibilitara encarar o processo de ensino e aprendizado com a naturalidade que se requer.
A abordagem em torno das avaliações tem suscitado bastante polemicas. Uns dizem que é uma tortura, outros encaram como uma disputa entre docentes e estudantes, alguns levantam duvidas quanto a sua credibilidade e lizura.
Quando um docente fala em avaliação muitos estudantes ficam com medo, receios até mesmo, apreensivos quanto ao que vai ser cobrado na prova, pois esse é um momento muito tenso e de muita pressão psicológica para os estudantes.
 A avaliação deve ser encarado como um processo natural que acontece para que o docente tenha uma noção dos conteúdos ministrados e assimilados pelos estudantes, bem como saber se as metodologias de ensino adotadas por ele estão surtindo efeito na aprendizagem dos estudantes. Este deve ser o principio norteador de uma avaliacao.
Nos tempos remotos, ou em outras decadas avaliar significava apenas aplicar provas, dar uma nota e classificar os estudantes em aprovados e reprovados. Ainda hoje existem alguns docentes que acreditam que avaliar consiste somente nesse processo. Contudo, essa visão aos poucos está sendo modificada.
O processo de Avaliação não deve ser somente o momento da realização das provas e testes, mas um processo contínuo e que ocorre ao longo de todo processo de ensino, visando a correção de erros e encaminhando o estudante para aquisição dos objectivos a que se propôs.
Nesse sentido, a forma avaliativa funciona como um elemento de integração e motivação para o processo de ensino-aprendizagem.
 A avaliação é um processo actualmente que deve ser entendido não só, como o resultado dos testes e provas, mas também os resultados dos trabalhos e/ou pesquisas que os estudantes realizam.
Para que este processo seja entendida não apenas como resultado de testes ou provas, criou-se  inúmeras técnicas avaliativas para ajudar melhor o estudante a encarar de forma natural. Tais como;
  • prova de consulta,
  • trabalhos e pesquisas,
  • resolução de soluções de problemas, entre muitas outras técnicas.
As quais permitem ao professor avaliar o desempenho dos estudantes e fugir da tradicional prova escrita, essas técnicas apresentam algumas características como:
  • Possibilidade do docente e estudante dialogarem buscando encontrar e corrigir possíveis erros, redirecionando o estudante para a aprendizagem;
  •  
  • Os erros são tidos como pistas que demonstram como o estudante está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que estão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão destes.
  •  
  • A motivação para a correção e o progresso do educando, sugerindo a ele novas formas de estudo para melhor compreensão dos assuntos abordados dentro da classe.
 Além das técnicas, para melhor entendimento e compreensão deste processo recomendamos ter em atenção Os Tipos de Avaliação como:
  1. Avaliação Diagnostica
Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso, do ano lectivo, do semestre/ trimestre, da unidade temática ou de um novo tema e pretende verificar o seguinte:
- Identificar estudantes com padrão aceitável de conhecimentos;
- Constata deficiências em termos de pré-requisitos;
- Constata particularidades
     2.  Avaliação Formativa
 Esta avaliação ocorre ao longo do ano lectivo. É através desta avaliação que se faz o acompanhamento progressivo do estudante;
- ajuda o estudante a desenvolver as capacidades cognitivas, ao mesmo tempo fornece informações sobre o seu desempenho.
- Informa sobre os objectivos se estão ou não a ser atingidos pelos estudantes;
- Identifica obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem;
- Localiza deficiência/dificuldades.
     3. Avaliação Sumativa  / Somativa
 Esta avaliação classifica os estudantes no fim de um semestre/trimestre, do curso, do ano lectivo, segundo níveis de aproveitamento.
- Tem a função classificadora (classificação final). Para se chegar a esta fase, aplica-se os dois instrumentos mais utilizados que são, as provas objectivas e subjectivas.
Para poder-se aplicar melhor esta ferramenta, é fundamental que o educador tenha domínio da heterogeneidade de conhecimentos existentes em sua turma, pois através desta referência, poderá elaborar estratégias de aplicabilidade, bem como poder acompanhar a evolução colectiva  e individual de seus estudantes.
 Gadotti (1990 – Op. Cit.) diz que a avaliação é essencial à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento, reflexão, sobre a acção.
Entende-se que a avaliação não pode morrer. Ela se faz necessária para que possamos reflectir, questionar e transformar nossas Acções.
O mito da avaliação é decorrente de sua caminhada histórica, sendo que seus fantasmas ainda se apresentam como forma de controle e de autoritarismo por diversas gerações.
Acreditar em um processo avaliativo mais eficaz é o mesmo que cumprir sua função didático-pedagógica de auxiliar e melhorar o ensino/aprendizagem.
 A forma como se avalia, segundo Luckesi (2002), é crucial para a concretização do projecto educacional. É ela que sinaliza aos estudantes o que o professor e a instituição escola valorizam.
Qualquer actividade  que realizamos no dia-dia realizamo-lo com um certo objectivo, tal como outras actividades. Educar tem em vista determinados objectivos, que permitam o desenvolvimento do indivíduo como um todo; no domínio cognitivo, afectivo e psicomotor.
Num processo de avaliação são definidos objectivos específicos (componente interna) que correspondem a actividade que se deve observar na avaliação.
Assim, a avaliação deve obedecer os seguintes critérios:
- Tem que ser benéfico;
- Deve ser justo e uniforme;
- Deve ser global;
- Deve ser eficaz na produção e mudanças no comportamento;
- Deve estar ao alcance dos estudantes;
- O processo de avaliação deve ser aberto;
- As conclusões finais devem ter certa validade a longo prazo.
- Deve ser praticável e não deve ser incómodo e inútil.
Será que estes  critérios estão realmente ao alcance e na perspectiva do melhoramento do aprendizado dos estudantes angolano?
 Será que o docente hoje, esta munido de conhecimentos suficientes para aplicar os referidos critérios visando a melhoria dos estudantes angolanos?
 Os Critérios da escolha das Técnicas e Instrumentos de Avaliação dependem:
                                I.            Dos objectivos de avaliação;
                              II.            Dos meios,
                            III.            Dos conteúdos/complexidade da matéria; Tempo disponível/duração;
                            IV.            Número de estudantes na turma;
                              V.            O tipo de estudantes;
                            VI.            A idade dos estudantes;
                          VII.            As condições da sala de aula etc.

Tendo em conta a complexidade deste processo, convém dizer que, hoje muitos docentes divergem quanto a concepção da avaliação.
Independentemente das divergências é curial que o docente faça uma reflexão objectiva de formas a atender aos critérios e, daí, aplicar melhor as técnicas da avaliação com o objectivo de atender o principio da melhoria continua dos estudantes.
 Alguns docentes ainda estão presos na concepção tradicional da avaliação. Enquanto outros objectivam o modelo contemporâneo.
Assim, traçamos aqui uma comparação entre a concepção tradicional de avaliação com uma mais adequada a objectivos contemporâneos, relacionando-as com as implicações de sua adopção.
COMPARAÇÃO DOS DOIS MODELOS DE AVALIAÇÃO
VISÃO TRADICIONAL
MODELO CONTEMPORÂNEO-ADEQUADO
Acção individual e competitiva
Acção colectiva e consensual (Interacção professor / estudante)
Concepção classificatória
Concepção investigativa e reflexiva
Apresenta um fim em si mesma
Actua como mecanismo de diagnóstico da situação
Postura disciplinadora e directiva do professor
Postura cooperativa entre professor e estudantes (pedagogia libertaria)
Privilégio à memorização (pedagogia dos oprimidos)
Privilégio à compreensão
Pressupõe a dependência do aluno. (pedagogia dos oprimidos)
Incentiva a conquista da autonomia do estudante. (Pedagogia libertaria)
 
A avaliação é um elemento muito importante no Processo de Ensino e Aprendizagem, porque é através dela que se consegue fazer uma análise dos conteúdos tratados num dado capítulo ou unidade temática.
Com a avaliação  possibilita-se reflectir sobre o nível do trabalho do professor como do estudante, por isso, mais uma vez reafirmamos que, a sua realização não deve apenas culminar com atribuição de notas aos estudantes,  mas sim, deve ser utilizada como um instrumento de colecta de dados sobre o aproveitamento dos estudantes.
Esta, porém, determina o grau da assimilação dos conceitos e das técnicas/normas; ajudam o professor a melhorar a sua metodologia de trabalho, também ajuda os estudantes a desenvolverem a auto confiança na aprendizagem e determina o grau de assimilação dos conceitos.
Também, promove a auto percepção do professor, permite ao professor responder questões como:
- Os meus objectivos são claros?
- Os conteúdos são acessíveis, significativos e bem dosados?
- Os métodos são os mais apropriados aos meus "estudantes"?
- Auxilio bem os que apresentam dificuldades de aprendizado?
Após a colocação das questões expostas aqui, importa recomendar aos docentes para a reflexão sobre o processo de avaliação de forma a atenuar a tensão psicologica que este processo acarrecta e, obter a melhoria dos estudantes e sua cooperação para o processo de ensino e aprendizado e, estes possam encara-lo como algo normal e benéfico no fortalecimento dos seus conhecimentos.
 Por: Pedro Lourenço Capingano
Psicólogo e Docente Universitário
 

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